Folha Branca

Blog com textos literários e traduções de Tomaz Amorim.
TRRLATAM_TAGUV

Folha Branca

Blog com textos literários e traduções de Tomaz Amorim.
<  Março 2009  >
S T Q Q S S D
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 31          
Buscar
Terra Blog

18.07.07

Desertos

Categorias : Poesia

Obs: Rascunho.

DESERTOS (primeiro fragmento)

I.
o bardo de barbas ralas
caminha cantando aos homens
sem luz de canção as trovas

no Livro do Povo é posto
uma anti-oração sem tinta
pautada de som sagrado

corre a música
dança a plástica
tempo fica
modifica

a história corre em busca do homem

o tempo langueia
e corre o homem mudo

II.
e eis que o bardo
coreografando de improviso
entre saltos longos e espacates
vibrando junto ao vento
busca o oásis deste deserto

cada lençol de areia
que ergue seu encanto
desnua mais o rosto
da virgem sereia
exótica e exuberante esperança

o pó lançado ao lado
pode por certo mostrar morada
não contém a célula de silício em si todo o deserto?
há de haver morada na areia

corre e canta o aedo
balançando-se em galhos
e brincando em poças
(se existissem)
deixando levar seu lenço o vento
para veloz ir buscá-lo

nas paredes de barro
e teto de palha
busca o maestro
sua fundamental pedra
sua derradeira casa

III.
entre dunas e rios ásperos
correm os furacões sentinelas
esterilizando o pó
sempre buscando a vida
o tocador assobia baixinho
tentando encantar os ventos
em busca de casulo
com um chapéu encharcado
a barba cheia de areia
o homem cava um abrigo
nas mantas do grande deserto
entre os papagaios voantes
vê o cantor esperança
de avançar caminhante

há no deserto algo de novo
que não areia e miragem

IV.
após treze anos de caminho
de contenda contra os ventos
sílices gigantes rodopiantes
surge cansado viola as costas
e pandeiro à mão cantando as cobras
nosso arauto sem pousar

as paredes do infinito
só fizeram ferver as esperanças
sem permitir ganchos de redes
às costas fatigadas
o vítreo carpete de pão assava
as massas dos pés no errante
sem bacia de prata para o banho
o calor cria desaconchego
aconchego apenas ao longe
na nuvem de calor enxame
de miríficas belezas calor
há no homem mais que viola
e vibrar de ofídios pandeiros
sua bandana encarnada e chapéu
de couro moreno de brinco dourado
a língua comprida e tocar o queixo
e dançante e lânguida e comprida
a lançar aos céus pragas e acusações
ousando

romper o lacre da criação

o deserto seco como giz
imaculado de fluídos desde a origem
sofre a ira do portador da voz
e geme aos golpes do céu

as cargas de águas descentes
como carruagens guiadas por sílfides
a competir num coliseu latino
preenchem cada vão de areia
tocando a funda cova do réptil
os ventos tombam ante a força
do insaciável e frio aqüífero
os bandos eólicos tremem e choram
doloridos ante os dardos de água
a caçar ninhadas de tufões

as primeiras gotas derretiam e anuviavam-se
ante a majestosa defesa de calor
juntavam-se depois pacientes e forçavam
carregadas de cavalaria e plúmbeas armas
a entrada nos fortes de areia
fazendo assalto às donzelas de vidro

as caldeiras desérticas movidas
desde a grande criação verbal
nas blasfêmias se intimida
e morre... resfriam-se as areias
a escalada encantada das águas
transformou o pó em movimento
as palavras guardadas e então ditas
revelaram o segredo do plano seco
e deu-se seu fim

o cantor faiscava água pelos olhos
maldições como abelhas de sua boca colméia
apenas com as águas nos joelhos úmido
parou o recital e olhou sua criação
mudou

3 comentários
Comente este post




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, email, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.