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criado por Tomaz Amorim
16:57:56

criado por Tomaz Amorim
17:33:30
criado por Tomaz Amorim
17:53:01
estar flor
ventre estendido do exterior ao íntimo
Seiva!
vida linfática que me escorre adentro,
desafiante física,
animante!
estar não em cravos e pétalas
mas orvalhos, ervas e dentes.
não só da terra me sustentar,
também sustentar sementes da terra,
e nela ser:
simbiose bela
mãe em que me faço ela
filha-flor primavera.
roça minhas pétalas o lençol de veludo vento
e furo-lhe com meus espinhos... desfio as brisas
ou deixo a terra arear-se em meus poros,
respiradouro telúrico e semeador,
pois urge em mim o prazer único
do toque voluptuoso das abelhas,
pólen-gozo.
contorção mimética aos feitiços do Sol
da aurora
e enfim desfaleço,
puta sincera feliz e enrubrada
sem lágrimas de bordel atordoadas,
sincera como fogos no céu.

criado por Tomaz Amorim
15:00:37
Ontem você e a fila de destroços da minha história
(do barro e argila, dos campos de roedores e aves,
das escadas dos adros em caracol)
fizeram de mim um quadro:
Caminhava por uma ladeira empoada de areia
de caminho sem degrau ou ponto final,
ouvia passos sem paredes para ecoar.
Uma branquidão e linhas cinzas guiavam os olhos
do sólido e indileto caminhante eu.
Nesta nula valentia da duna vital
orvalhei nú dos pulsos e língua
gotas de azul melancolia,
sussurraram meus passos à terra segredos
de luz e azularam pegadas.
Avançava só, tingindo de lago a folha branca.

criado por Tomaz Amorim
01:31:53