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estar flor
ventre estendido do exterior ao íntimo
Seiva!
vida linfática que me escorre adentro,
desafiante física,
animante!
estar não em cravos e pétalas
mas orvalhos, ervas e dentes.
não só da terra me sustentar,
também sustentar sementes da terra,
e nela ser:
simbiose bela
mãe em que me faço ela
filha-flor primavera.
roça minhas pétalas o lençol de veludo vento
e furo-lhe com meus espinhos... desfio as brisas
ou deixo a terra arear-se em meus poros,
respiradouro telúrico e semeador,
pois urge em mim o prazer único
do toque voluptuoso das abelhas,
pólen-gozo.
contorção mimética aos feitiços do Sol
da aurora
e enfim desfaleço,
puta sincera feliz e enrubrada
sem lágrimas de bordel atordoadas,
sincera como fogos no céu.

criado por Tomaz Amorim
15:00:37