
(imagem retirada
daqui)
fraco das infâncias e juventudes
do lamento dos elogios
pais e mulheres
não há em mim alento de ser
nada
mesmo este poema-carpir
de sedas de versos vestido
não passa de engano
o peso e a delicadeza cristalina dos meus pés
ordenam que beba só a pura bebida
nascida na fonte da verdade que é meu peito
sobrevivo às sombras nuvens do mundo
só
sobre o sustentáculo da verdade
emudeço hoje minha voz insincera
mostra-se-me intangível a verdade
meus sentidos de nervos torpes nauseiam
o carrocel de três dimensões me abate o corpo
tudo o suspeito faz instável aleija e desanda
faz púrpura o caminho sem erva e terra
fico de voz sem ritmo
de cores opacas
racham o barro meus dedos duros
e lançam longe a cruz que não repousa no ventre
o prisma do mundo faz
toque em pétala de rosa ter gosto azul na boca
obriga à noite me exilar-
fuga falsa como o cicatrizar de Prometeu-
para sentir que um anjo apiedar-se-ia
que me acolheriam leões e pássaros e a mim vestiriam e por mim cantariam
até que eu pudésse cantar
então cantaria tão verde quanto o verter da linfa no pulso dos galhos, a música dos carvalhos na mata esquecida, o mel dos favos de esmeralda, o gosto do alho e do manjericão, o hálito dos cavalos índios, os olhos da jovem colhedora de olivas, as libações das sereias aos monstros do mar, o útero da Terra
VERDE!
tão verde quanto pudéssem meus olhos
e quando chegassem ao limite os arrancaria
e minha alma verde tornaria o mundo êxtase
hoje no entanto pairo branco
olho ao abismo que é o mundo
seu fim que não tem puro canto dos infernos
pois o inferno está mudo
e onde nem mais o silêncio canta pois falta ar
há nisto minha perdida verdade?
pode a idade verde respirar com o resto de ar
que só arde?
sobra a desgraçada garganta de tártaro
que busca antes de água da mata
ar para cantar