I. das cores, dos incensos dos sabores oxidantes das frutas antigas da senhora abrangente e familiar seus colares de cores quentes seus lenços de cabelo e seios africanos que nunca conheci.
desçam das ruas todas as cruzes, dos postes pois que me queima o néon o sangue judeu... me trincam as tranças desfeitas.
II. "Tenham dó do pobre menino" clamam monotônicas as timbrantes velhas sua procissão - noturnos os morros que lhes carregam por suas cicatrizes - iniciada ao sopé e que põe luz na escuridão nas trilhas incertas acendem velas e quem oh! quem? de longe vê, procura símbolos do Zodíaco
o morro chora o peso das lágrimas anciãs que não suportam as dores do menino atlas
IV. um trovão a realidade trinca de suas fissuras soa música antiquíssima da qual não se pode lembrar
V. corre, tigre, corre cada pata perfumada fertiliza flores ao solo tocar e no ínfimo momento de vão vôo quadrúpede imiscui-se no ar... sua leveza excessiva, as sedutoras palavras aladas quase o dissolvem no ar daí o peso
quatro passos fazem o tigre voar, cada vez mais leve, cada vez menos material, ele, aos poucos desaparece galopa as brisas
fadas cúpreas sereias de plástico oh elfos, ow cowboys!