28
de
janeiro
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two kinds of hell
bukowski
I sat in the same bar for 7 years, from 5 a.m.
(the day bartender let me in 2 hours early)
to 2 a.m.
sometimes I didn’t even remember going back
to my room
it were as if I were sitting on the barstool
forever
I had no money but the drinks kept
arriving
to then I wasn’t the bar clown
but the bar fool
but at times a fool will find a greater
fool to
admire him,
and,
it was a crowded
place
actually, I had a viewpoint: I was waiting for
something extraordinary to
happen
but as the years wasted on
nothing ever did unless I
caused it:
broken bar mirrors, a fight with a 7 foot
giant, a dalliance with a lesbian, many things
like the ability to call a spade a spade and to
settle arguments that I did not
begin and etc. and etc. and etc.
one day I just upped and left the
place
like that
and I began to drink alone and I found the company
quite all right
then, as if the gods were bored with my peace at
heart, knocks began upon my door: ladies
the gods had sent the ladies to the
fool
and the ladies arrived one at a time and when it ended with
one
the gods immediately–without allowing me any respite–sent
another
and each began as a flash of miracle–even the bed–and the
good ended up
bad
my fault, of course, yes, that’s what they told
me
but I remembered the 7 years in the bar, I hardly ever bedded
down with anybody
the gods just won’t let a man drink alone, they are jealous of
his simple strength and salvation, they will send the lady
knocking upon that door
I remember all those cheap hotels, it were as if the women
were one: the delicate little rap on the wood and then:
"oh, I heard you playing that music on your radio…we’re
neighbors, I’m down at 603 but I’ve never even seen you in
the hall…"
"come on in…"
and there go your balls and your sanctity, Men’s Liberation,
they say, is not needed
and then you remember the bar
when you walked up behind the 7 foot giant and knocked his
cowboy hat off his head, yelling:
"I’ll bet you sucked your mother’s nipples until you were
12 years old!"
somebody in the bar saying: "hey, sir, forget it, he’s a mental
case, he’s an asshole, he doesn’t know what he is
saying!"
"I know EXACTLY what I am saying and I’ll say it again:
I’ll bet you sucked…"
he won but you didn’t die, not at all the way you died when the
gods arranged to get all those ladies knocking and you went for
the first flash of miracle
the other fight was more fair: he was slow, stupid and even a
little bit frightened and it went well for quite a good while,
just like with the ladies those gods
sent
the difference being, I thought I had a chance with the
ladies
dois tipos de inferno
tomaz fernandes izabel
eu me sentei no mesmo bar por 7 anos, das 5 da manhã
(o dia que o garçom me deixou entrar 2 horas antes)
Às 2 da manhã
algumas vezes eu nem me lembrei de voltar
para o meu quarto
era como seu eu estivesse sentado no banco do bar
para sempre
Eu não tinha dinheiro mas a bebida continuava
chegando
até então eu não era o bobo do bar
mas o trouxa do bar
mas às vezes um trouxa encontra um trouxa
maior para
admirá-lo,
e,
estava lotado
o lugar.
na verdade, eu tinha um ponto de vista: eu estava esperando
algo extraordinário
acontecer
mas com o gastar dos anos
nada aconteceu ao não ser que eu
causasse:
espelhos de bar quebrados, uma luta com um gigante
de 2 metros e meio, um galanteio com uma lésbica, muitas coisas
como a habilidade de chamar espadas de espadas e de
arrumar discussões que eu não
comecei e etc. e etc. e etc.
um dia eu simplesmente levantei e saí do
lugar
assim
e eu comecei a beber sozinho e achei a companhia
muito boa
então, como se os deuses estivessem chateados com minha paz de
coração, batidas começaram na minha porta: senhoritas
os deuses tinham enviado senhoritas para o
trouxa
e as senhoritas chegavam uma em uma hora e quando terminava com
uma
os deuses imediatamente–sem me permitirem qualquer descanso–mandavam
outra
e cada uma começou como um brilho de milagre–mesmo a cama–e o
bom terminou
mau
culpa minha, é claro, sim, é o que elas diziam
para mim
mas eu me lembrei dos 7 anos de bar, eu quase nunca ia para cama
com alguém
os deuses não vão simplesmente deixar um homem beber sozinho, eles tem ciúmes da
sua simples força e salvação, eles vão mandar a dama
bater naquela porta
eu me lembro de todos aquele hotéis baratos, era como se as mulheres
fossem uma só: a batidinha na madeira e então:
"ah, eu ouvi você tocando aquela música no seu rádio…somos
vizinhos, eu moro lá em baixo no 603 mas eu nunca nem te vi
no corredor…"
"entre…"
e lá se vão suas bolas e sua santidade, Libertação dos Homens,
eles dizem, é desnecessário
e então você se lembra do bar
quando você foi até o gigante de 2 metros e meio e tirou o chapéu
de boiadeiro da cabeça dele, gritando:
"Aposto que você chupou os mamilos da sua mãe até
os doze anos!"
alguém no bar dizendo: "ei, senhor, esqueça, ele tem problemas mentais,
ele é um idiota, ele não sabe o que está
dizendo!"
"Eu sei EXATAMENTE o que estou dizendo e vou dizer de novo:
Aposto que você chupou…"
ele ganhou mas você não morreu, não tanto quanto você morreu quando os
deuses colocaram todas aquelas senhoritas batendo na sua porta e quando você foi para
o primeiro brilho de milagre
a outra luta foi mais justa: ele era lento, estúpido e até um
pouco medroso e tudo foi bem por um bom tempo,
como com as senhoritas que os deuses
mandaram
a diferença sendo, eu achei que tinha uma chance com as
senhoritas

cummings
little tree
little tree
little silent Christmas tree
you are so little
you are more like a flower
who found you in the green forest
and were you very sorry to come away?
see i will comfort you
because you smell so sweetly
i will kiss your cool bark
and hug you safe and tight
just as your mother would,
only don’t be afraid
look the spangles
that sleep all the year in a dark box
dreaming of being taken out and allowed to shine,
the balls the chains red and gold the fluffy threads,
put up your little arms
and i’ll give them all to you to hold
every finger shall have its ring
and there won’t a single place dark or unhappy
then when you’re quite dressed
you’ll stand in the window for everyone to see
and how they’ll stare!
oh but you’ll be very proud
and my little sister and i will take hands
and looking up at our beautiful tree
we’ll dance and sing
"Noel Noel"
Tomaz Fernandes Izabel
pequena árvore
pequena árvore
pequena silenciosa árvore de Natal
você é tão pequena
você parece mais com uma flor
quem te achou na floresta verde
e você sentiu muito por ter vindo?
veja eu te confortarei
porque você cheira tão docemente
eu beijarei tua casca fresca
e te abraçarei firme e forte
como faria sua mãe,
só não tenha medo
olhe as lantejoulas
que dormem o ano todo numa caixa escura
sonhando em serem pegas e poderem brilhar,
as bolas as correntes vermelhas e douradas os cordões felpudos,
levante seus braços pequenos
e te darei tudo para segurar
cada dedo terá seu anel
e não haverá um único lugar escuro ou infeliz
então quando você estiver toda vestida
você se erguerá na janela para todos verem
e como eles irão admirar!
oh mas você estará muito orgulhosa
e minha irmã e eu daremos as mãos
e olhando para cima nossa bela árvore
nós dançaremos e cantaremos
"Noel Noel"

tradução de Voyelles, de Arthur Rimbaud:
Arthur Rimbaud
Voyelles
A noir, E blanc, I rouge, U vert, O bleu: voyelles,
Je dirai quelque jour vos naissances latentes :
A, noir corset velu des mouches éclatantes
Qui bombinent autour des puanteurs cruelles,
Golfes d’ombre; E, candeurs des vapeurs et des tentes,
Lances des glaciers fiers, rois blancs, frissons d’ombelles;
I, pourpres, sang craché, rire des lêvres belles
Dans la colère ou les ivresses pénitentes;
U, cycles, vibrements divins des mers virides,
Paix des pâtis semés d’animaux, paix des rides
Que l’alchimie imprime aux grands fronts studieux ;
O, suprême Clairon plein des strideurs étranges,
Silences traversés des Mondes et des Anges :
- O l’Oméga, rayon violet de Ses Yeux !
Tomaz Fernandes Izabel
Vogais
A negro, E branco, I rubro, U verde, O azul: vogais,
Eu direi algum dia seus natais latentes:
A, negro corpete de moscas reluzentes
Que zombem ao redor de odores lamaçais,
Ilhas sombrias; E, alvor de tendas e ares,
Lanças de gelo, reis brancos, frisson de umbelas;
I, sangue escarrado, riso de bocas belas
Em cólera ou em penitência ébria nos bares;
U, ciclos, divino vibrar do verde mar,
Paz dos campos semeados, paz do enrugar
Que a alquimia marca na testa de homens sóbrios;
O, sumo Clarim dos estridentes desarranjos,
Silêncios trespassados de Mundos e Anjos:
- Ó, Ômega, raio violeta em Seus Olhos!

John William Waterhouse - Ophelia (1889)
tradução do poema "my love" (1923), de e.e. cummings
my love
my love
thy hair is one kingdom
the king whereof is darkness
thy forehead is a flight of flowers
thy head is a quick forest
filled with sleeping birds
thy breasts are swarms of white bees
upon the bough of thy body
thy body to me is April
in whose armpits is the approach of spring
thy thighs are white horses yoked to a chariot
of kings
they are the striking of a good minstrel
between them is always a pleasant song
my love
thy head is a casket
of the cool jewel of thy mind
the hair of thy head is one warrior
innocent of defeat
thy hair upon thy shoulders is an army
with victory and with trumpets
thy legs are the trees of dreaming
whose fruit is the very eatage of forgetfulness
thy lips are satraps in scarlet
in whose kiss is the combinings of kings
thy wrists
are holy
which are the keepers of the keys of thy blood
thy feet upon thy ankles are flowers in vases
of silver
in thy beauty is the dilemma of flutes
thy eyes are the betrayal
of bells comprehended through incense
meu amor
meu amor
teu cabelo é um reino
o rei de tal é a escuridão
tua fronte é um perder-se em flores
tua cabeça é uma floresta viva
cheia de pássaros adormecidos
teus seios são enxames de abelhas brancas
sobre os ramos do teu corpo
teu corpo para mim é Abril
em cuja axila está a primavera próxima
tuas coxas são cavalos brancos atrelados a uma carruagem
de reis
elas são a maravilha de um bom menestrel
entre elas está sempre uma música agradável
meu amor
tua cabeça é uma urna
da jóia fresca de tua mente
o cabelo de tua cabeça é um guerreiro
inocente de derrotas
teu cabelo sobre teus ombros é um exército
com vitórias e com trombetas
tuas pernas são as árvores do sonhar
de que a fruta é a próprio pasto do esquecimento
teus lábios são sátrapas em escarlate
dos quais o beijo é a união de reis
teus pulsos
são sagrados
pois são os guardiões das chaves do teu sangue
teus pés sob teus tornozelos são flores em vasos
de prata
em tua beleza está o dilema das flautas
teus olhos são a traição
de sinos compreendidos através do incenso
rola esvaziada uma garrafa de vinho
sobre meu tapete de linho e manchas vermelhas
distorce em verde minhas poucas luzes
centelhas de lâmpadas fluerescentes
derramada entre o tapete e o mármore frio
está minha prostituta oriental, adormecida
-Se fosse uma estação do ano seria a primavera florescida!
eu diria num bar
se inspiro seu cabelo, polvilhado de diamantezinhos de suor, cheiro e ouço todas as vozes
estridentes de sua língua natal, seu olhar no menino fero de sete anos que apanha no chão
uma bituca e fuma, o cheiro de esperma de homens e homens, sua perspectiva
de três cigarros, um pingado e uma carreira
jazz fumacento, trago de whisky e charuto
mão suja de cinzas
marcas na mesa branca
no puxador da geladeira, no alvo vibrador
minha mão tem cinzas e minha garganta é calejada
sujo os bueiros, as ruas, as calçadas, as igrejas
os pequenos puleiros de crianças, dos herdeiros
minha mão é o globo cinza e é com ela que pulverizo a puta chinesa
meu punho profundo
cinzas em sua flor vermelha, meu bem
Seguem algumas das traduções que apresentei como trabalho final numa disciplina de tradução literária. Ficam os agradecimentos ao Leo e ao Andre, que deram sugestões sobre o texto, e ao sempre paciente Eric, por confiar.

(retirada daqui)
Black Tambourine
The interests of a black man in a cellar
Mark tardy judgment on the world’s closed door.
Gnats toss in the shadow of a bottle,
And a roach spans a crevice in the floor.
Aesop, driven to pondering, found
Heaven with the tortoise and the hare;
Fox brush and sow ear top his grave
And mingling incantations on the air.
The black man, forlorn in the cellar,
Wanders in some mid-kingdom, dark, that lies,
Between his tambourine, stuck on the wall,
And, in Africa, a carcass quick with flies.
Tamborim Negro
As atenções de um negro num porão marcam
tarde o juízo na porta do mundo fechada.
Mosquitos vagam na sombra de uma garrafa,
passa no chão uma barata em caminhada.
Esôpo, guiado pela ponderação,
pôde com a tartaruga e a lebre ao Céu chegar;
Rabo e couro de lobo e porca cobrem sua cova
e encantamentos misturados pelo ar.
O homem negro, miserável no porão,
Vaga em certas terras-do-meio que estão, foscas,
Entre seu tamborim, pregado na parede,
E, n’África, uma carcassa viva de moscas.

(retirada daqui)
Voyages I
Above the fresh ruffles of the surf
Bright striped urchins flay each other with sand.
They have contrived a conquest for shell shucks,
And their fingers crumble fragments of baked weed
Gaily digging and scattering.
And in answer to their treble interjections
The sun beats lightning on the waves,
The waves fold thunder on the sand;
And could they hear me I would tell them:
O brilliant kids, frisk with your dog,
Fondle your shells and sticks, bleached
By time and the elements; but there is a line
You must not cross nor ever trust beyond it
Spry cordage of your bodies to caresses
Too lichen-faithful from too wide a breast.
The bottom of the sea is cruel.
Viagens I
Sobre o fresco rufar das ondas
eriçadas crianças esfolam-se com areia.
Planejaram uma conquista às cascas de conchas,
E seus dedos esfarelam pedaços de algas cozidas
Alegremente cavando e lançando.
E em resposta às suas agudas interjeições
O sol bate com relâmpagos nas ondas,
As ondas encerram trovão na areia;
E pudéssem elas me ouvir eu lhes diria:
Ó crianças resplandecentes, brinquem com seu cachorro,
Acariciem suas conchas e varetas, embranquecidas
pelo tempo e pelos elementos; mas há uma linha
que vocês não devem cruzar nem nunca nela confiar demais
Cordame ágil dos seus corpos para acariciar
Muito líquen-fiel a um peito de distância.
O fundo do mar é cruel.

minha poesia é mito esclarecido
os volumes cinzentos, rufosos de risos,
que invoco não nublam a natureza:
são verdade
minha ponte de luz,
das cores do mundo
até meus olhos mágicos.
Eu deveria tatuar "Kafka" no lombo.
Caminhar pelas cidades - imediatamente após a trombeta do Anjo final - e me perder em seus currais.
Abandonar a distorção nos espelhos dos meus olhos,
minhas cores fracas.
Aceitar a impotência de libertação
(IMPOSSÍVEL!)
e chorar assistindo, com o corpo estendido, ao cativeiro das Yaras nos livros e memórias envelhecidas.
Eu te amo, minha Lúcia,
Assim é melhor.
estar flor
ventre estendido do exterior ao íntimo
Seiva!
vida linfática que me escorre adentro,
desafiante física,
animante!
estar não em cravos e pétalas
mas orvalhos, ervas e dentes.
não só da terra me sustentar,
também sustentar sementes da terra,
e nela ser:
simbiose bela
mãe em que me faço ela
filha-flor primavera.
roça minhas pétalas o lençol de veludo vento
e furo-lhe com meus espinhos… desfio as brisas
ou deixo a terra arear-se em meus poros,
respiradouro telúrico e semeador,
pois urge em mim o prazer único
do toque voluptuoso das abelhas,
pólen-gozo.
contorção mimética aos feitiços do Sol
da aurora
e enfim desfaleço,
puta sincera feliz e enrubrada
sem lágrimas de bordel atordoadas,
sincera como fogos no céu.